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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

LEVIANO


LEVIANO

Há tanto tempo não te rimo com meus versos,
Nem te reservo um minuto do meu dia,
Eu, que pensei que teu adeus era meu término,
Me percebi bem mais feliz em tua partida.

Pensar que um dia eu te chamei amor eterno,
Senti sabor no que me provoca repulsa,
Lembrar teus lábios é mergulhar num lago fétido,
Que hoje enterro no vão passado em que fui tua.

Nada que fiz foi mais inútil que te amar,
Nada que eu faça será em prol de tua lembrança,
Foste um amargo pesadelo de inverdades,
Foste um sóbrio devaneio de criança.

As tuas taras me marcaram eternamente,
E hoje entendo o quanto foste leviano,
Me enganaste te fazendo de bom moço,
Mas és um porco e eu te odeio, ente profano.

(Vanessa Rodrigues)


Foto: PublicDomainPictures.net / Domínio público.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

FIM



Embora eu saiba que nada nos restou
Ainda aguardo ansiosa sua chegada
Pra dividir o que em mim acumulou
E devolver o seu quinhão: nossas migalhas.

Ficou tão claro que esse intervalo não terá fim
Faço questão de encarar seu desamor
Pois se acabou, foi erro seu que ao me iludir
Fingiu sentir o amor que em mim não depositou.

Faz tanto tempo que só lembranças me restaram
Que ainda me pergunto se existiu ou inventei
A solidão é um castigo inevitável que aprisiona a alma
Dessa desgraçada em que me transformei.

(Vanessa Rodrigues) 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

FATALIDADES



Intensamente entrei em sua vida,
Mas as intenções eram divergentes,
Eu intenso na despedida,
Você sentida, mas indiferente.
Ocasionalmente nos reencontramos,
Fatalmente nossa desunião,
Eu por querê-la sempre,
Você por não querer-me então.
Inevitavelmente nossa reaproximação,
De repente o nosso fim,
Eu por pensar em nós,
Você por não pensar em mim...


(Vanessa Rodrigues)

domingo, 13 de dezembro de 2015

NADA ESPERO



Tem sido um peso o que eu carrego,
E nada espero do nosso amor,
Nossas promessas foram quebradas,
Na sua estrada perdi o valor.

Eu choro, eu grito, me desespero,
Eu não entendo o que aconteceu,
Era tão puro e tão sincero,
O que eu via nos olhos seus.

Tempo maldito que destruiu,
O que por anos eu cultivei,
Hoje o futuro é tão incerto,
Que o que espero eu já nem sei...

VRS

terça-feira, 25 de março de 2014

APENAS


Não volte antes que eu parta para sempre,
Nem me reviva essa dor que não passou.
Não lhe darei um só suspiro de amante,
Nem como antes falarei do meu amor.
Não nos compare, pois meu ventre gera vida
E sua cria não o segue onde vai.
Eu sou a mãe, a essência da família,
Você é pai, uma parte e nada mais.


(Vanessa Rodrigues)

REFLEXÃO


Compreendi aquele instante de hermética reflexão,
Em que estava aquele homem na minha frente a procurar.
No silêncio dos meus passos, amorteci a pulsação,
Impelindo na ação, cautelosa a observar. 

Deparei-me com seus olhos percorrendo as mobilias
Na poeira impregnada sob a mesa de jantar.
Seu semblante sossegado alastrava nostalgia.
Não veria semelhança em nossa forma de sonhar.

Sua mente alforriada percorria a imensidão,
Desatando as correntes e o teto a sufocar.
Salivava descontente o sabor da solidão,
Impregnado no seu corpo o desgosto de gostar. 

Emudecido suspirava a canção do desamor,
Orquestrando o silêncio das paredes decompostas,
Empoeirada sua alma desusada, sem valor,
Enterrado no oculto da miséria preciosa. 

Constrangi-me a observá-lo em momento tão distinto
De meditação, vivência, demência e concentração.
Recolhi a eloquência, abandonei-o a seu jazigo
E parti tão mais sozinha ao deixar-lhe a solidão.  


(Vanessa Rodrigues) 

sábado, 3 de agosto de 2013

A PAZ



Meu poema A PAZ traduzido pelo Círculo Universal dos Embaixadores da Paz - Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix Suisse / France

de notre ambassadrice Vanessa Rodrigues BRESIL
votre indulgence pour les traduction merci!
 

A PAZ

Ante a guerra dos covardes, combatemos.
Com palavras e ações nos inspiramos,
Não lutamos com as armas dos pequenos
Nosso exército é bem maior e soberano.

Ante as lutas que derramam crueldades
Nós erguemos nossa espada de amor,
E abraçamos o irmão no desalento
Tão serenos eximamos sua dor.

Ante o medo dos malvados triunfamos,
Porque temos ao nosso lado a bondade.
Pelo amor e a caridade militamos,
Carregando a paz eterna na bagagem...

______________________________________

PAIX

Contre la guerre des lâches nous nous sommes battus.
Avec les mots et les actions
Ne pas se battre avec les armes
Notre armée est beaucoup plus grande et souverainne.

Contre les combats et les déversements des cruautés
Nous avons tenu notre épée de l'amour,
Et avons embrassé le frère dans la consternation
Examinant  leur sereine douleur.

Face à la peur des méchants triomphons
Parce qu'avec nous nous avons la bonté.
Pour l'amour et la charité, nous sommes,
Réalisation de la paix éternelle dans les bagages...

_________________________________________
  
PAZ

La guerra cobarde que hemos luchado.
Con las palabras y acciones
No a luchar con las armas
Nuestro ejército es mucho más grande y souverainne.

Contra la lucha y los derrames de crueldades
Celebramos nuestra espada de amor
Y han abrazado al hermano en consternación
Examinando su dolor sereno.

Enfrentar el miedo del triunfo malvado
Porque con nosotros tenemos la bondad.
Por amor y caridad, estamos,
Realización de la paz eterna en el equipaje...

______________________________________ 

PEACE

The cowardly war we have fought.
With the words and actions
Not to fight with weapons
Our army is much larger and souverainne.

Against the fighting and the cruelties spills
We held our sword of love
And have embraced the brother in consternation
Examining their serene pain.

Face the fear of the wicked triumph
Because with us we have the goodness.
For love and charity, we are,
Realization of the eternal peace in the luggage...

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МИР

Трусливые война, которую мы боролись.
С словами и действиями
Не бороться с оружием
Наша армия намного больше и souverainne.

Против боевых действий и жестокости разливов
Мы провели наш меч любви
И обнимали брата в ужас
Изучение их Светлости боль.

Лицо страха злых Триумф
Потому что с нами у нас есть добро.
Для любви и милосердия мы являемся,

Реализация вечного мира в багаж...

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(Vanessa Rodrigues de Sousa)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

HOJE EU CHOREI



Hoje eu chorei,
E nem sei o real motivo para essas lágrimas.
Vá saber, nessa mente vazia, a dor que passa
Quando choro sem mesmo saber onde é que me dói.

Hoje eu chorei,
E notei que o alívio não veio, nem mesmo depois
Que juntei pela cama os vestígios do amor de nós dois.
E sem mais eu fiquei lamentando essa dor que corrói.

Hoje eu chorei,
E pensei que seria melhor não contar pra ninguém
Que essa febre em meu corpo já faz tempo e não tem
Um remédio que eu possa tomar e curar a ferida.

Hoje eu chorei,
E cansei de secar uma lágrima de presença eterna,
E deixei de sonhar a ilusão de sorrir mais sincera,
Como era quando encontrava em você a saída...


Vanessa Rodrigues

COISA ALGUMA



As horas não passam,
Arrastam-se nos meus passos
Tão cansados,
Marcados pelos amores traçados
Nos açoites somados,
Aos odores jorrados
Dos presentes retalhos
Em que os anseios transformaram com desdém.
Agora carrego acanhado
A bagagem de um triste passado
Que viveu sempre em mim acordado,
Revivendo o meu sofrido legado
Que, por mais que o tenha rejeitado,
Vive pulsando nos calos
Que ganhei, por ter sido escravo
Desse mundo onde não fui ninguém...


Vanessa Rodrigues

UNÍVOCOS




Não vivo nos intervalos precisos
De seus ciúmes obsessivos
Nos gestos nocivos
Ora depressivos
Outrora convulsivos
De instantes imprecisos
A viverem desmedidos
Em um mundo ofensivo
De comandos e desditos
Tiranias de malditos.
Não curvo-me aos mandos e desmandos
Desses mansos e covardes
Concretos e miragens
Desgraçados e divindades
Homem e santidade
Bicho e majestade
Tudo na mesma pastagem...


Vanessa Rodrigues

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A SEITA



Num vulto compulsivo de estremecido movimento,
Diante dos meus olhos o profeta enganador.
Seus gestos corrompidos desonrados e pretensos,
Forjou amores ternos que no inferno aprimorou.

Treinando suas tropas de soldados destrutivos,
Sem qualquer receio todo o mundo enganou.
Fingindo-se de ovelha e devorando os inimigos,
Forjou servir a Deus, mas ao diabo adorou.

Infiltrou-se nas defesas dos fiéis e inocentes,
Dizia relembrar de sua vida anterior.
Assim fez sua seita de adoradores inconsequentes,
Capazes de matar e todo o mal chamar: amor.

Vanessa Rodrigues.

sábado, 14 de janeiro de 2012

LER VANESSA




Ler Vanessa é aprender, sorrindo
Tudo o já lido pela vida afora.
E o amor que dela vai saindo,
Nasce pro mundo e entre nós aflora...

Nas mãos da poetisa, eis que mora
Inspiração tão grande que, fluindo,
Faz como se pudesse aqui e agora
Estar com a gente o seu sonhar tão lindo

Essa mocinha, creia, com certeza,
É fada, é musa, é maga e, de beleza
Conhece tudo, em todos os detalhes.

Seus poemas, de amor ou de tristeza
Ela os mostra, da vida sobre a mesa
Como artesã, seus magistrais entalhes...

(Tony Fonseca.)

Um presente inesquecível do meu querido confrade!!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MESQUINHO QUERER



Não há felicidade capaz de iludir
Um coração vazio, descrente de paixão
O amor é como o orgasmo: segundos a sorrir
Vencido pela força da intensa solidão.


Deixar que tuas mãos tocassem o meu corpo
Assim como minha a alma, feriu meu coração.
Ter sido tua amante causou-me um estranho gosto
Azedo de mentiras e amargo de ilusão.


(Vanessa Rodrigues)

domingo, 11 de setembro de 2011

GRITOS IMPUROS



Sob os pés desta desdita está teu corpo
Aguardando que a terra o consuma.
Quantos palmos me separam do teu rosto,
Quanto tempo levará pra que eu descubra?

Já não sinto os meus dedos mutilados
Já não sei de quem é o sangue em minhas unhas
O perfume do teu corpo está mudado
Não recordo destas pálpebras tão fundas.

Tua pele está tão pálida e fria
Teus cabelos desprendendo em minhas mãos
Como é triste não sentir qualquer batida
No lugar que te pulsava um coração.

Inda sinto a maciez da tua boca
Inda posso encaixar-me em tuas curvas
Pra arrancar-te um abraço quanta força
Aceitar que esta vez será a última.

Eu não posso devolver-te para terra
Não foi esta e sim meus braços tua morada
Que minha morte me condene a dor eterna
Teu amor que era o dono da minha alma...

Vanessa Rodrigues

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

VOCÊ SE FOI



Você partiu sem meus braços
Sem que os abraços meus, pudesse ter sentido
Sem o som da minha voz no seu ouvido
Sem meu pulsar, sem meu gemido
Sem que meu grito o impedisse de partir...


(Vanessa Rodrigues)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

PERCEPÇÃO




Quantas vezes quis partir sem te levar,
Tantas vezes preferi te esquecer,
Quanta dor eu carreguei, sem te contar
Tantos sonhos que não pude entender...
Tantos dias eu chorei por te culpar,
Tão injusta eu vivi sem te querer,
Quantas vidas eu neguei o teu amar,
Tantos anos, e nem pude perceber...

Vanessa Rodrigues.

quinta-feira, 10 de março de 2011

الخاص


حبي لك هو محض.
أنا وردة، وكنت في العالم.
أنا طائر، وكنت في السماء،
ابن شرارة، وأنت الشمس
أنا في الهواء، وأنت الريح
كنت في حركة مستمرة.
كنت تملك الوقت،
وأنا أريد هذه المرة،
أن يكون لك إلى الأبد

(فانيسا رودريغز)

ESPECIAL



Meu amor por você é puro.
Eu me levantei, e você está no mundo.
Eu sou um pássaro, e eu estava no céu,
Eu sou uma faísca, e você é o sol
Eu estou no ar, e você o vento
Eu estava em constante movimento.
Você tem o tempo,
Quero neste momento,
Ser sua para sempre

(Vanessa Rodrigues)

quinta-feira, 3 de março de 2011

ANÁLOGOS



Ele conheceu-me antes de mim,
No tempo em que eu vivia a descobrir o mundo.
Ele viveu-me intenso até o fim
E fez-se eterno clarão no meu obscuro.


Ele traçou novos rumos no meu coração,
Desfez as barreiras herméticas do meu destino,
Plantou as sementes da vida na minha ilusão,
Trazendo a meu peito a certeza de tê-lo escolhido.


Ele moldou-me a mulher que julgava perfeita,
Em curvas seguras de serem de sua autoria.
Ele viveu-me latente, à sua maneira,
Sendo tão meu o desejo que nele nutria...

Vanessa Rodrigues.

quarta-feira, 2 de março de 2011

DIVÓRCIO



Imagina em mim
O que há de ti implantado
Como o átomo de um ser que agora é meu,
Algo que dantes fora teu
Que agora nem teu nem meu há de ser.
Imagina em ti
O que há de mim emprenhado
A exalar, como se fosse teu,
O cheiro que dantes fora meu,
Que agora nem meu nem teu há de ser.
Imagina em nós
Aquilo que é nosso há anos,
Que fundiu-se quando nos amamos
Que nem nosso pode mais ser.
E quem haverá de saber
De quem era, antes de nós,
Se nem eu nem tu
Fomos nós
Que o fizemos nascer...

Vanessa Rodrigues.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

AOS HOMENS


O pensamento de um homem é um segredo divino.
Quantos não tiveram certezas e indecisões?
O sonho de um homem é um grito contido,
Dilacerado e esculpido em nossos corações.

Quantos terão tido amores infinitos,
Saudades eternas doutro ser?
Tantos paraísos esquecidos nesse indivíduo
Sempre resistindo ao amanhecer.

O pranto de um homem é um sentimento sofrido
Quase esvaecido de seu conhecer.
Mas quantos não choraram esse amor inconcebível
Que foi imprescindível no anoitecer?

Quantos segredos não levaram consigo,
Desejos e gemidos não revelados,
Quantos morreram sem terem sabido
Que eram tão queridos e admirados...

Vanessa Rodrigues.

EU NÃO SEI AMAR DIREITO



Eu amo sofrendo, querendo,
Desejando, enlouquecendo,
Sufocando a pessoa amada.
Eu amo seguindo, invadindo,
Me iludindo, impondo ser amada.
Eu amo de uma forma egoísta, possessiva,
Destrutiva e sempre exagerada.
Eu amo sem limites, sempre triste
E quase desgraçada...

Vanessa Rodrigues.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ELE NÃO SABE VIVER



Ele pensa que viverá para sempre,
Que teremos noites quentes de infinito prazer.
Ele quer me convencer de que o amor
Não convive com a paixão,
Que esta dilacera o coração,
O outro nos ensina a compreender.
Ele pensa em viver sua idade,
Como se esta determinasse a intensidade do amor,
Como se dela dependesse a vontade do querer,
Como se ela, quanto mais, menos prazer...

(Vanessa Rodrigues)

EGOÍSMO



Não me peças calma, tão pouco paciência,
Nem esperes de mim mais do que sou.
Não te desculpes pela tua preferência,
Se a minha recompensa não mais é o teu amor...


Não me esperes nos teus sonhos nem me queiras de ilusão.
Se na realidade não convém minha companhia,
Não me fales de sensatez, muito menos de razão,
Se me negas a sensação de viver sem agonia.


Não me fales da saudade, quanto menos da esperança,
Se foi tua decisão afastar-me da tua vida.
Não me peças compreensão nem prometas segurança,
Se não moves uma palha para viver o nosso dia.


Não mais culpes a natureza, se o telhado se rompeu,
Tão pouco culpes o ouro que não te pertencia,
Teu suor é só por um, este apenas será teu,
O resto é somatório, não se ganha todo dia.


Não se dá mais do que se pode, vive-se com o que se tem.
Os teus devem saber a hora de parar.
Não se leva do ouro o pote, a ganância não convém,
Um pão partido ao meio pode a todos saciar...

(Vanessa Rodrigues)

IRREMEDIÁVEL



Por que não me convenço de uma vez que não tem volta,
Que é irremediável nosso fim,
Se já são tantos anos que mandaste-me embora
E não será agora que viverás dentro de mim?


Por que ainda te iludes de que vais ficar comigo,
Se nós dois sabemos que não vai acontecer?
Não serão desculpas de telhados, precipícios,
Que mudarão destinos que não podem conviver.


É tarde pra nós dois. A ferida já foi feita.
Deixaste-me sozinha quando mais precisei.
Perdeste muito tempo construindo a fortaleza.
Chorei cada momento que jamais perdoarei.

(Vanessa Rodrigues)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

OUTRO ALVO



Ah, o seu amor é confortante
Aos meus apelos de amante
Que não quer ser a mulher de sua vida.
Ah, para outro dei-me o bastante
Agora quero ser inconstante
Em cada instante que me faço de imprecisa.
Ah, foi longo o tempo que vivi entre o tormento
Dos ligeiros pensamentos de ser dele absoluta.
Ah, mas eu lamento
Já não tenho argumentos
Pra mudar seus sentimentos
Pra não me ver como sua musa.
Então desisto e me entrego aos seus apelos
De tratar-me com seus zelos
E fazer-me de rainha
E já não sofro se eu buscava outros meios
Se eles foram tão certeiros
Que erraram minha mira...

(Vanessa Rodrigues)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

BEIJA-FLOR


Era tão lindo o pequenino,
De gestos precisos que me encantou,
Vinha bailando nas flores,
Sugando os amores,
Que o tempo plantou.


Era tamanha a beleza,
Suave destreza com que ele pousou,
Mas foi veloz a partida.
Fiquei tão sentida,
Querendo ser flor.


O esperei na surdina,
Banhada de mel,
Com os olhos de amor.


O meu calor exalava
O cheiro de fadas,
Que o alcançou.


Toda manhã ele vinha
Provar da saliva que o viciou.
Mas na amarga injustiça,
Um dia minha vida perdeu o sabor.


Ele esperava calado,
Os gestos sonhados de ter-me, sua flor.
Mas o meu ego ingrato
O fez viciado num falso sabor.


Já não me tinha ao seu lado,
Chorava abafado um pranto de dor.
Com fome, vagou cansado,
Sonhando acordado... Morreu de amor.

Vanessa Rodrigues.

sábado, 15 de janeiro de 2011

OS QUATRO VENTOS



Ofereço meu amor aos quatro ventos:
Que todos levem uma parte de mim.
Ofereço meus olhos ao firmamento,
Que firme em meus versos o que prometi.


Ofereço minha admiração ao universo,
Pois este é infindo como sempre quis ser.
Ofereço meus sonhos ao submerso,
Para que não morram no amanhecer.


Ofereço meu corpo à natureza,
Que toda sua beleza saberá cultivar.
Ofereço minha alegria à correnteza,
Que findará tristeza por onde passar.


Ofereço minhas lembranças ao anoitecer,
Pois todas viverão no sorriso meu.
Ofereço meu coração a você,
Que este sempre lhe pertenceu.

Vanessa Rodrigues.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DOIS CORAÇÕES



Apagou-se uma luz dentro de mim
Apagou-se assim sem que eu pudesse evitar
Por essa forma de só saber me ocultar
E de pensar sem ser capaz de executar...

Vanessa Rodrigues.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NEGATIVISMO



Eu não pretendo me converter ao escravismo
De ter tolhido o meu desejo de viver
Correndo livre sem frear ante o abismo
Daquele lixo que prefiro nem saber.


Eu não me moldo aos diplomas emoldurados
Nas paredes dos escravos dos empregos,
Não vivo presa esperando meu salário
Já vinculado pela fome dos soberbos.


Eu não aceito encaixar-me nesse mundo,
Onde obscuras são as curvas dos segredos.
Se tenho medo de saber do meu futuro
É porque julgo ser bem mais o que mereço...

(Vanessa Rodrigues)

REMENDOS



Não, eu não renasci:
Eu apenas me humilhei,
Me arrastei e implorei para ser perdoada,
Por ser essa mulher desfalcada,
Com nada além dessas lágrimas
Para lhe oferecer.


Não, eu não ressurgi:
Eu permaneci nas cinzas,
Sendo a eterna vítima do não querer.
Eu grudei-me em suas pernas,
Prometi ser sincera, fiel e leal
Ao seu jeito banal de não me perceber.


Não, eu não sou fênix,
Tampouco divina,
Musa felina que defende sua cria.
Sou covarde, como todos os males
Que herdei dos altares
Onde chorei sua partida.
Não, eu não sou nenhum anjo,
E tão menos são santos
Esses meus sentimentos.
Eu sou vaga, vazia,
Nunca fui concluída,
Porque toda minha vida
Foi feita de remendos.

(Vanessa Rodrigues)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ELA




Ela já teve tanta vida...
E hoje repousa incansável nesse leito de ilusão
Vive estatelada de amarguras, sem qualquer evolução,
Chora a esperança esmagadora de quem não tem mais saída.


Ela já foi tão feminina...
Hoje nem pinturas escondem as marcas do seu rosto
Uma velhice aguda, estampada de desgosto,
Que foi tão soberana que a deixou amortecida...


Ela era assim, tão linda
Que a desejei em noites infindas de prazer.
Foi tanto que amei, que ao seu lado quis morrer.
E hoje vai saber como me dói ela estar viva...

Vanessa Rodrigues.

ASSIM FOMOS, SOMOS E SEREMOS...



Serão minhas verdades invertidas,
Ou inverdades as certezas desse mundo?
Pois não há forma de viver em harmonia
Com segmentos e valores absurdos.


São obscuros os caminhos que traçamos
Nos anulando ante a hora de agir,
Assim fingir direcionar os nossos planos,
Quando mal somos livres para decidir.


Fomos moldados pela crença e pelo medo
De sermos julgados pelos atos cometidos.
Assim tolheram o que é nosso por direito:
A opção de ter em mãos o livre-arbítrio.


Somos mesquinhos com aqueles que nos amam,
Idolatrando a eloquência de homens vis,
Meros fantoches subordinados por um bando
De soberanos ordinários e imbecis.


Não há verdade absoluta, diz o cético,
Seguindo o pirronismo inconsequente.
Assim dividem opiniões de um povo débil
Que segue as letras das canções incoerentes.


Não somos nós inferiores a ninguém
E não há quem possa a todos iludir.
Ao guerrearmos, feriremos sempre alguém
Que como nós será refém do que há de vir.


E o que virá é mais um dia de batalha
Contra a insensata mira da artilharia,
Que encarcera a faculdade dessa massa
Destinada a sujeitar-se à tirania.


E novos dias se oporão a renascer,
E como nós vão se render à autoridade
Dessa absurda divindade do prever
Que o sofrer é necessária aprendizagem.


Assim renascem erros graves do passado,
Que acorrentam o instinto de agir.
Seremos sempre seguidores molestados,
Reles escravos adestrados pra servir...

Vanessa Rodrigues.